Pedido de empréstimo de 1,2 bi está sendo analisado pela Câmara Municipal de Maceió, onde o prefeito JHC tem ampla maioria.

Apesar desse caixa bilionário, a cidade carece de obras estruturantes, melhorias consistentes na rede de saúde pública e enfrenta alguns dos piores indicadores educacionais.

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), tem hoje à sua disposição um volume de recursos jamais visto na história da capital alagoana: R$ 4,025 bilhões em caixa. O montante é resultado de uma combinação de fontes, incluindo:

• R$ 1,7 bilhão pagos pela Braskem em compensações judiciais pelos danos provocados pelo colapso geológico nos bairros da capital;

• R$ 250 milhões provenientes do contrato de concessão da Casal para a Braskem, que hoje controla o fornecimento de água em Maceió;

• R$ 1,875 bilhão em empréstimos contratados em moeda nacional, majoritariamente junto à Caixa Econômica Federal;

• US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) em empréstimos internacionais já contratados junto ao Fonplata.

Apesar desse caixa bilionário, a cidade carece de obras estruturantes, melhorias consistentes na rede de saúde pública e enfrenta alguns dos piores indicadores educacionais entre as capitais brasileiras. Segundo dados oficiais, faltam milhares de vagas em creches, a infraestrutura escolar é precária e o transporte público escolar ainda depende majoritariamente de veículos terceirizados.

Enquanto isso, o prefeito investe em “maquiagem urbana” em bairros nobres como Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara — onde se concentram a classe média alta, os ricos e os grandes empreendimentos imobiliários —, deixando as periferias da cidade com obras inacabadas, moradias precárias e escolas improvisadas e reformas inacabadas.

A crítica que ecoa entre parlamentares e especialistas é clara: JHC tem montado um caixa robusto não para transformar Maceió, mas para turbinar seu projeto eleitoral rumo ao governo de Alagoas em 2026. A maquiagem na orla e o marketing intenso nas redes sociais alimentam uma “administração gourmet”, que ignora as reais prioridades de uma capital marcada pela desigualdade.

“Maceió tem dinheiro para fazer história, mas está sendo administrada como vitrine de rede social”, resume um vereador da base, sob anonimato.

Ao deixar a cidade com dívidas em moeda estrangeira, compromissos de longo prazo e ausência de investimentos estruturantes, o legado de JHC pode ser mais propaganda do que política pública — e a conta pode chegar justamente aos que mais precisam dos serviços públicos do município.

Redação com 082 Notícias

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