Senador derrotado nas eleições é investigado por lavagem de dinheiro e tem possível fuga pela fronteira com a Argentina apurada pela Polícia Federal
O senador Flávio Bolsonaro (PL) não entregou seu passaporte à Polícia Federal (PF) dentro do prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão judicial, proferida na noite de domingo (25), estabeleceu medidas restritivas contra o parlamentar, incluindo a proibição de deixar o Brasil e a obrigação de apresentar eventuais passaportes estrangeiros em até 24 horas.
A determinação foi expedida no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O descumprimento ocorre em meio a suspeitas de que o senador, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, tenha deixado o território brasileiro pela fronteira com a Argentina.
A decisão de Moraes estabeleceu três medidas principais: a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, e a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais documentos de viagem emitidos por outras nacionalidades.
O parlamentar chegou a reconhecer publicamente que havia sido intimado pela Polícia Federal. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que visitou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (26), e mencionou a determinação para entregar o documento.
Apesar disso, o senador não cumpriu a exigência dentro do prazo estabelecido pelo ministro do STF. A informação acrescenta um novo elemento à investigação sobre seu paradeiro e sobre um possível descumprimento das restrições impostas pela Justiça.
PF investiga possível saída do Brasil pela Argentina
A Polícia Federal também apura informações de que Flávio Bolsonaro teria deixado o país após a derrota eleitoral. Conforme divulgado pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no g1, os investigadores buscam esclarecer se o senador cruzou a fronteira brasileira apesar da proibição de viajar ao exterior.
Na madrugada desta terça-feira (27), um jornal argentino publicou informações segundo as quais Flávio teria atravessado a fronteira pela região de Puerto Iguazú, cidade localizada na província de Misiones, próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.
A possibilidade de uma saída por via terrestre passou a integrar as apurações das autoridades brasileiras. A PF acionou a Argentina para verificar as informações relacionadas ao suposto deslocamento do senador.
Até o momento, as informações divulgadas não permitem confirmar que Flávio Bolsonaro efetivamente tenha ingressado em território argentino ou embarcado em uma aeronave para outro destino.
Investigação envolve advogado Willer Tomaz e empresas de apostas
As medidas determinadas por Alexandre de Moraes fazem parte de um processo que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
A apuração examina um suposto esquema financeiro relacionado a empresas ligadas ao advogado e ao setor de apostas esportivas, conhecido como mercado de bets.
A proibição de contato entre os dois investigados foi uma das providências adotadas pelo ministro, juntamente com as restrições sobre os documentos de viagem de Flávio Bolsonaro.
A investigação ainda está em andamento, e as suspeitas apuradas não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
Derrota para Lula antecedeu decisão do STF
As restrições judiciais foram determinadas no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O presidente foi reeleito para um quarto mandato com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.
Fonte: Brasil 247





