Mais de 2 milhões de pessoas tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado (24), para o último grande ato da campanha do presidente Lula antes do segundo turno das eleições presidenciais, deste domingo (25). Em uma manifestação marcada por emoção, bandeiras brasileiras e palavras de ordem em defesa da democracia e dos direitos e conquistas sociais.

Da Consolação à Praça Oswaldo Cruz, os milhões de brasileiros tomaram todos os 14 quarteirões da principal avenida de São Paulo, além das ruas paralelas e adjacentes. A dimensão da concentração dificultou o deslocamento do carro aberto que conduzia o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e aliados. Para conseguir enxergar a multidão e cumprimentar os presentes, Lula deixou o veículo e subiu em um caminhão de som.

A cena do presidente cantando o Hino Nacional com a Constituição e a bandeira nas mãos marcou o encerramento da campanha em São Paulo. Segundo o site oficial de Lula, a manifestação reuniu cerca de 2 milhões de pessoas e foi apresentada como um ato histórico.

Antes de chegar à Paulista, Lula já havia destacado a mobilização popular que marcou o segundo turno em praticamente todas as cidades brasileiras. Para ele, a eleição ultrapassou os limites das estruturas partidárias e passou a envolver diretamente cidadãos preocupados com o futuro do país.

“A SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO QUER RETROCESSO”

Lula afirmou que os brasileiros querem mudanças que melhorem suas condições de vida, mas não aceitam um retrocesso político e social.

“A sociedade brasileira quer mudança, mas quer mudança estrutural e que faça o país continuar caminhando pra frente no rumo certo. A sociedade brasileira não quer retrocesso”, declarou.

O presidente também destacou a dimensão das mobilizações realizadas durante a campanha e o envolvimento de pessoas que, segundo ele, assumiram a responsabilidade de participar diretamente da disputa.

“Há muitos anos, mesmo os mais velhos que fazem campanha política, não tinham visto uma movimentação da sociedade como nós temos visto neste segundo turno”, afirmou.

A manifestação na Paulista reuniu apoiadores de diferentes idades e regiões, além de militantes, representantes de movimentos sociais, organizações estudantis e lideranças políticas. O público entoou músicas da campanha, gritou palavras de ordem em defesa da democracia e acompanhou a passagem do presidente pela avenida.

“UM MENTIROSO, MILICIANO E DESQUALIFICADO”

Lula concentrou as críticas mais duras ao adversário no segundo turno, o miliciano Flávio Bolsonaro. O presidente questionou a conduta do candidato e afirmou que ele não tem compromisso com a verdade nem responsabilidade compatível com o cargo que pretende ocupar.

“Eu jamais imaginei disputar uma eleição com um mentiroso, um miliciano, um desqualificado”, declarou.

O presidente também criticou a postura de Flávio diante de temas fundamentais para o país e questionou suas condições políticas, morais e éticas para chegar à Presidência.

Entre os episódios citados por Lula está o caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em 2021. O presidente criticou a atuação de Flávio na defesa do policial acusado no caso e utilizou o episódio para questionar as escolhas e a responsabilidade política do senador.

Lula também atacou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. O presidente acusou o adversário de mentir repetidamente sobre o assunto.

“Ele mente com a maior desfaçatez, não tem nenhuma responsabilidade ou sentimento; ele diz uma coisa hoje, e amanhã diz outra. Só no caso do Vorcaro, ele já mentiu umas 50 vezes”, afirmou.

A acusação foi usada por Lula para questionar a credibilidade do senador na reta final da disputa. O número citado pelo presidente deve ser atribuído a ele; verificações jornalísticas sobre declarações específicas constituem uma avaliação distinta.

Lula também afirmou que a eleição não pode permitir que alguém que considera sem compromisso com a verdade chegue ao Palácio do Planalto.

“Esta eleição é um ato de pessoas que se preocupam com o país, que se preocupam com o dia a dia de outras pessoas e que não querem permitir que um miliciano vá para o Palácio do Planalto”, declarou.

“NÃO É UM HOMEM CONTRA OUTRO HOMEM”

Lula procurou apresentar a eleição como uma escolha entre projetos distintos de país. O presidente pediu que os eleitores considerassem as consequências da decisão para o futuro nacional, para a democracia e para as condições de vida da população.

“Trabalhamos muito para convencer as pessoas que não foram votar, que anularam ou estão indecisas, porque o que está em disputa não é um homem contra outro homem. É o modelo de país que a gente deseja. É o futuro da nossa nação que estamos construindo”, afirmou.

O apelo foi dirigido especialmente aos eleitores que ainda não decidiram seu voto e àqueles que não participaram do primeiro turno. Lula demonstrou confiança na vitória e defendeu a continuidade de seu governo por mais quatro anos.

Fonte: Hora do Povo

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