A ponderação das pesquisas Quaest pelo tamanho do eleitorado mostra Lula com vantagem teórica próxima de 7 milhões de eleitores.
A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) nos três estados do Sul está longe de ser suficiente para compensar a vantagem obtida por Lula (PT) nos seis estados do Nordeste alcançados pelas recentes pesquisas Quaest. Quando os percentuais das pesquisas são ponderados pelo tamanho do eleitorado de cada estado, a diferença torna-se expressiva. E poderia ser maior, se a totalidade do território nordestino tivesse sido avaliada.
O cálculo para apoiar essa afirmação considera os percentuais de Lula e Flávio Bolsonaro apresentados pela Quaest e o número de eleitores aptos a votar em 2026 em cada unidade da Federação. Não se trata de uma projeção do resultado das urnas, mas de uma forma de medir o peso eleitoral das vantagens registradas nas pesquisas.
Nordeste dá a Lula saldo superior a 10 milhões
Nos seis estados nordestinos pesquisados — Bahia, Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas — há aproximadamente 32,1 milhões de eleitores. Aplicados os percentuais da Quaest a esse universo, Lula alcançaria teoricamente 16,7 milhões, contra 6,3 milhões de Flávio Bolsonaro. A diferença seria de aproximadamente 10,4 milhões em favor do atual presidente.
A Bahia tem peso decisivo nessa conta. Quarto maior colégio eleitoral do Brasil, com 11,32 milhões de eleitores, o estado registra 50% para Lula e 17% para Flávio. A diferença de 33 pontos percentuais representa, quando aplicada ao eleitorado baiano, um saldo teórico de cerca de 3,74 milhões para Lula.
Pernambuco acrescentaria outros 2,53 milhões à diferença e o Maranhão, cerca de 1,97 milhão. Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas completariam o saldo favorável ao petista.
Sul devolve apenas um terço da diferença
Nos três estados do Sul, que juntos possuem aproximadamente 22,86 milhões de eleitores, ocorre o movimento inverso. Flávio Bolsonaro aparece com vantagem sobre Lula no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Ponderados pelo eleitorado, os percentuais das pesquisas representariam cerca de 9 milhões para Flávio e 5,5 milhões para Lula. O saldo seria de cerca de 3,5 milhões para o candidato da extrema-direita.
O Paraná produziria a maior vantagem sulista, com algo perto de 1,55 milhão, seguido por Santa Catarina, com 1,43 milhão. No Rio Grande do Sul, onde a diferença entre os candidatos é menor, o saldo ficaria próximo de 512 mil.
Isso significa que, para cada três eleitores de vantagem acumulados por Lula nos seis estados nordestinos, Flávio recuperaria um deles no Sul. Então, a situação de empate técnico no Sudeste dá uma expressiva probabilidade de vitória para o petista. E resta o Centro-Oeste, com tendência favorável a Flávio, mas onde o fator Ronaldo Caiado também tem peso.
Saldo final ainda seria de quase 7 milhões para Lula
Repetindo: colocadas frente a frente as duas regiões avaliadas como distintas na escolha, os 3,49 milhões de vantagem de Flávio no Sul absorveriam apenas parte dos 10,45 milhões acumulados por Lula nos seis estados nordestinos. Depois dessa compensação, Lula ainda conservaria vantagem teórica próxima de 6,96 milhões de eleitores.
E há um aspecto que torna a comparação ainda mais relevante: o levantamento não contempla todo o Nordeste. Ceará, Piauí e Sergipe, onde Lula também deve vencer, estão fora desse cálculo, enquanto os três estados do Sul já estão integralmente considerados.
A comparação não permite antecipar o resultado da eleição, pois considera o eleitorado total e não desconta abstenções, votos brancos, nulos ou destinados aos demais candidatos. Ela revela, porém, que a vantagem percentual de Flávio Bolsonaro no Sul, mesmo expressiva, tem peso eleitoral muito menor do que o saldo acumulado por Lula nos estados nordestinos pesquisados.
Fonte: Rede Estação Democrática





