Vereadora Teca Nelma e vereador Rui Palmeira questionam ação do prefeito Rodrigo Cunha. Doação ocorre no contexto dos prejuízos causados pelas transações entre Iprev e o Banco Master

Com o Decreto Municipal nº 10.363/26, que autorizou formalmente o repasse de cinco imóveis públicos ao Fundo Previdenciário (FUPRE) do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (Iprev), o prefeito Rodrigo Cunha dá um duro golpe nas finanças públicas e no patrimônio dos maceioenses. O decreto tira do patrimônio da Prefeitura de Maceió os edifícios Palmares e Ary Pitombo (no Centro), um prédio em Riacho Doce, um terreno de mais de 63 mil m² em Bebedouro e outro terreno na AL-101 Norte.

O repasse desse patrimônio ao Iprev se torna ainda mais grave se for considerado o valor e a dimensão desses imóveis.

Os edifícios Palmares e Ary Pitombo, que ficam no entorno da Praça dos Palmares, no Centro, foram adquiridos pela Prefeitura em 2023, pagando à União um valor total de R$ 10 milhões. Os dois prédios sediavam o escritório regional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e foram adquiridos para serem transformados num Centro Administrativo.

O prédio localizado no bairro de Riacho Doce foi comprado pela Prefeitura à família Sampaio de Melo. Os registros sobre valores dessa aquisição e a forma como esse imóvel privado passou ao patrimônio público não são conhecidos.

Já o terreno que fica no bairro de Bebedouro tem mais de 63 mil metros. Para que se tenha uma ideia do tamanho, sua extensão equivale a aproximadamente 6 campos de futebol oficiais.

O repasse se torna ainda mais grave quando se analisa os detalhes do terreno localizado na rodovia AL 101 Norte, cuja metragem quadrada e os limites geográficos foram omitidos pelo prefeito Rodrigo Cunha no Decreto Municipal nº 10.363/2026. Porém, sabe-se que as áreas de terra naquela região têm alto valor de mercado para a iniciativa privada pelo que representam em interesse turístico e imobiliário.
Esse decreto provocou revolta e vem sendo questionado por diversos setores da sociedade de Maceió. Tanto vereadores quanto sindicalistas que representam os servidores públicos municipais reagem à decisão do prefeito de repassar gratuitamente bens que pertencem à municipalidade ao Instituto de Previdência Municipal.

Segundo parlamentares, como o vereador Rui Palmeira (PSD), o repasse de imóveis públicos , feito de forma emergencial, foi uma manobra para compensar o rombo financeiro do Iprev. Segundo Rui, o decreto assinado por Rodrigo Cunha, teria como objetivo compensar os impactos da aplicação de R$ 117 milhões no Banco Master, realizada durante a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC.

Já a vereadora Teca Nelma questiona a falta de transparência e discussão com a sociedade.

Na tentativa de impedir esse prejuízo à Prefeitura de Maceió, o vereador protocolou uma representação no Ministério da Previdência pedindo investigação sobre a transferência dos cinco imóveis ao Fundo Previdenciário do Iprev.

Também contrário ao Decreto 10.363/2026, o professor Dilson Ferreira, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que o prejuízo aos maceioenses vai além do alto custo financeiro que o repasse dos imóveis representa. Ele analisa, como exemplo, o valor social dos edifícios Palmares e Ary Pitombo.

Arquiteto e urbanista, Dilson Ferreira destaca a importância que esses imóveis têm para os interesses do setor imobiliário. “Os prédios estão na principal entrada do Centro de Maceió, possuem altura significativa, vista para o mar e grande potencial urbano” – ressalta ele.

Redação com B News Alagoas

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