Condenado por coação judicial, ex-deputado busca apoio junto ao governo Donald Trump para tentar reativar pressão contra Alexandre de Moraes
O ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) iniciou uma nova rodada de articulações nos Estados Unidos contra o Supremo Tribunal Federal após ser condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação judicial. A ofensiva do ex-parlamentar, que reside no Texas desde 2025, inclui agendas em Washington com Paulo Figueiredo, representantes da gestão do presidente estadunidense, Donald Trump, e parlamentares do Partido Republicano. As informações são da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Na capital estadunidense, Eduardo Bolsonaro deve cumprir agendas até esta terça-feira (23). O ex-deputado tenta retomar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. O magistrado atuou como relator da investigação sobre a trama golpista – que resultou condenação de Jair Bolsonaro (PL), além de outros integrantes de seu governo – e também relatou o processo de coação judicial que condenou o ex-parlamentar a uma pena de 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, e 50 dias-multa, no valor de dois salários mínimos cada dia.Play Video
Em 16 de junho, os quatro ministros da Primeira Turma do STF votaram pela condenação de Eduardo Bolsonaro. Além de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin Martins, Flávio Dino e Cármen Lúcia acompanharam o entendimento pela responsabilização penal do ex-deputado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de trabalhar para articular sanções contra autoridades brasileiras e ao próprio Brasil. Conforme o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ex-parlamentar adotou uma estratégia de pressão internacional para beneficiar o pai e aliados investigados.
“O réu deixou claro que suas palavras carregavam o peso de uma execução iminente, visando desestabilizar o julgamento então em curso contra seu pai. O poder de influência ostentado e exercido por ele serviu como instrumento de pressão institucional, ultrapassando qualquer limite razoável de crítica política”, escreveu Gonet ao STF.
Entre as medidas citadas estão tarifas de exportação anunciadas pelos EUA no ano passado, suspensão de vistos de integrantes do STF e do atual governo, além da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. A legislação estadunidense permite restrições financeiras, como bloqueio de contas bancárias e impedimento de uso de cartões de crédito vinculados a empresas dos Estados Unidos. Para a Procuradoria, as iniciativas buscavam pressionar e intimidar o Supremo Tribunal Federal às vésperas do julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, em setembro do ano passado.
Impacto sobre o ex-deputado
A decisão também produz efeitos políticos imediatos. Com a condenação, Eduardo Bolsonaro passou a ficar inelegível por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa. O ex-parlamentar ainda pode enfrentar medidas internacionais caso o Brasil peça sua inclusão na lista de procurados da Interpol e solicite extradição ou deportação às autoridades estadunidenses.
Para que Eduardo entre na lista da Interpol, a Justiça brasileira precisa expedir um mandado de prisão contra ele. A adoção dessa medida dependeria de uma decisão do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.
A defesa sustenta que o ex-deputado não atuou para interferir em decisões adotadas pela gestão do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho afirmou que Eduardo Bolsonaro realizou apenas atuação política.
“Eduardo não teve poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos, não integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele país”, disse Esdras dos Santos Carvalho, conforme relato da Agência Brasil.
Mesmo após a condenação, Eduardo Bolsonaro confirmou que pretende buscar apoio nos Estados Unidos para tentar reverter a decisão. O ex-parlamentar mencionou a “Casa Branca”, o “Departamento de Justiça” e o “Congresso americano” como espaços aos quais pretende recorrer em sua ofensiva contra a Justiça brasileira.
Fonte: Brasil 247






