Esperado no evento em meio ao escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro não foi

Organizador da “Marcha para Jesus”, o pastor Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), usou o espaço nobre do evento religioso para promover candidatos bolsonaristas apoiados por ele. Subiram no trio elétrico, entre outros, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato ao governo do Rio. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também foi convidado, mas não compareceu.

O evento contou com patrocínio público de quase R$ 6 milhões. A prefeitura do Rio de Janeiro injetou R$ 3,9 milhões, o dobro do valor oferecido em 2025. A ampliação do financiamento foi um gesto de Eduardo Paes (PSD-RJ), pouco antes de deixar o posto de prefeito da capital, com o eleitorado evangélico. Próximo de Malafaia, Paes se desgastou junto à esquerda ao defendê-lo em meio às acusações de obstrução do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Em culto na Advec em setembro de 2025, o então prefeito do Rio chegou a afirmar: “Mexeu com Malafaia, mexeu comigo”.

Já o governo do estado, ainda na gestão de Cláudio Castro (PL-RJ), injetou mais R$ 2 milhões no evento. Castro é próximo de Malafaia e conta com o apoio dele para sua pré-candidatura ao Senado.

O apoio dado por Paes não impediu que Malafaia promovesse Ruas, principal adversário de Paes na disputa pelo Palácio Guanabara.

Além do presidente da Alerj, Malafaia também chamou ao púlpito dois políticos intimamente ligados a ele: o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, e o ex-vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil-RJ). Malafaia apoia a reeleição de Sóstenes para a Câmara e quer que Isquierdo seja o representante da Advec na Alerj, substituindo seu irmão Samuel Malafaia (PL-RJ), que deixará a vida pública. Outro deputado estadual do PL, Chico Machado, também foi convidado para a marcha pelo pastor.

Malafaia usou o evento religioso para atacar adversários políticos.

“Não é possível homens maus estarem no controle da nação. Gente que odeia os princípios da palavra, gente que defende aborto, que defende ideologia de gênero, gente que defende devassidão moral”, afirmou o pastor.

Malafaia também voltou a criticar evangéicos que votam em candidatos de esquerda, postura que é criticada por parte das lideranças do segmento.

“O comunista é comunista em casa, no trabalho, na escola, nas relações sociais e na hora de votar. Cristianismo não é religião, gente. Cristianismo é estilo de vida”, disse o pastor, antes de completar. “O crente, não. São crentes em tudo, mas na hora de votar, votam em vagabundo, ladrão, em gente que nos odeia, votam em gente que odeia a Bíblia”.

Flávio Bolsonaro falta a evento

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, era esperado na “Marcha para Jesus”, mas faltou ao evento. A ausência ocorre em meio a idas e vindas na relação com Malafaia.

O pastor apoiou publicamente uma chapa formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), com quem Flávio é rompido. Em resposta, o senador se aproximou de outras lideranças evangélicas, reduzindo o protagonismo que Malafaia sempre ostentou em meio ao bolsonarismo.

Com Flávio consolidado na disputa, Malafaia fez um aceno e o convidou a participar de uma celebração na sua igreja no início de maio. Flávio foi levado a um culto de Santa Ceia, data nobre no calendário da Assembleia de Deus, e recebeu orações de Malafaia ao lado de outros políticos bolsonaristas, como Douglas Ruas e o ex-governador do Rio Cláudio Castro.

A relação entre os dois foi novamente por conta do escândalo causado pela relação próxima do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelada pelo site Intercept Brasil. Inicialmente, Malafaia saiu em defesa de Flávio e chegou a gravar um vídeo atacando as reportagens, mas, diante de novas revelações, mudou de tom. Ao jornal O Globo, disse que se novos elementos surgirem “fica difícil” para os evangélicos apoiarem a candidatura do senador.

*Com informações do Tempo Real RJ e da Folha de S. Paulo

Fonte: ICL

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