Investigação da PF sobre o senador abala articulação política da direita para 2026

A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) provocou forte desgaste político no entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliou as tensões na articulação da direita para as eleições presidenciais de 2026. As informações foram publicadas originalmente pelo jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna no portal Metrópoles.

O episódio ocorre poucos dias após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), movimento que havia sido comemorado por setores da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Noblat, o novo escândalo alterou rapidamente o ambiente político em Brasília e colocou o bolsonarismo na defensiva.

Enquanto isso, Lula esteve nos Estados Unidos para um encontro com o presidente Donald Trump, que, segundo relatos, teve duração muito maior do que o inicialmente previsto. O presidente brasileiro comentou o resultado da reunião em tom descontraído:“Olhem para minha cara. Pareço feliz ou não?”

A declaração foi dada após a reunião na Casa Branca, que durou quase três horas.

No mesmo período, a Polícia Federal avançou sobre suspeitas envolvendo Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e apontado como possível candidato a vice-presidente em uma eventual chapa liderada por Flávio Bolsonaro em 2026.

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo em 14 de junho do ano passado, Flávio havia elogiado publicamente o senador piauiense:

“Em relação à vice, quem eu acho que tem todas as credenciais para ser é o Ciro. Mas essa é uma decisão que se toma muito mais na frente. O perfil do Ciro é um bom perfil. É nordestino, é de um partido bem forte, tem ali a lealdade que ele sempre teve ao presidente Bolsonaro durante o ministério dele. Então, sem dúvida alguma, é o nome que está colocado.”

Após a divulgação das investigações, no entanto, o tom mudou. Em nota oficial divulgada nesta semana, Flávio Bolsonaro adotou postura cautelosa e evitou defender diretamente o aliado:

“O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. […] Esperamos por uma ampla apuração.”

A investigação da Polícia Federal apura supostas vantagens recebidas por Ciro Nogueira do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo os investigadores, os benefícios ultrapassariam uma relação de amizade pessoal.

Entre os itens citados pela PF estão pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, custeio de viagens em jatinhos particulares, hospedagens em hotéis de luxo, disponibilização de cartões de crédito para despesas pessoais e uso gratuito de imóvel de alto padrão pertencente ao empresário.

A investigação também aponta que Ciro Nogueira, familiares e sua ex-esposa teriam adquirido participação de 30% em uma empresa ligada a Vorcaro por valor muito inferior ao estimado de mercado.

Em contrapartida, a PF sustenta que o senador teria atuado politicamente em favor de interesses do Banco Master. O principal ponto citado é a apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por depositante.

De acordo com os investigadores, o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do banco e entregue diretamente na residência do senador.

O avanço das apurações já provoca efeitos políticos imediatos. Um ato previsto para a próxima segunda-feira (11), no qual o PP formalizaria apoio à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ser adiado.

Nos bastidores, aliados que antes exaltavam a influência política de Ciro Nogueira agora tentam se afastar do desgaste provocado pela investigação.

Durante agenda nos Estados Unidos, Lula comentou o caso de forma breve: “Espero que todos sejam inocentes.”

Fonte: Brasil 247

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