Policiais do interior paulista são investigados por supostamente extorquir dinheiro de traficantes para facilitar venda de drogas

O quarto de hospital virou palco de intimidação em São Roque, interior paulista. Internado sob custódia após ser preso, um homem relatou que teve o leito invadido por policiais militares (PMs) que, em vez de atuarem como agentes do Estado, teriam agido para silenciar qualquer menção a um esquema de extorsão envolvendo integrantes da corporação.

Segundo ele, os PMs entraram no quarto, fecharam a porta e passaram a ameaçá-lo para que não “abrisse o bico”.

De acordo com o depoimento prestado à Corregedoria, obtido pelo Metrópoles, o homem afirmou que os policiais — um 1º sargento, um cabo e um soldado que costumam acompanhá-lo — foram até o hospital por duas vezes após sua prisão, em 12 de agosto de 2025.

Na segunda ocasião, um deles ordenou o fechamento da porta do quarto, enquanto outro o agarrou pelo pescoço. Durante a ação, ouviu ameaças diretas como “o peixe morre pela boca” e a advertência de que seria morto caso revelasse informações sobre os policiais.

Os três PMs do 50º Batalhão de Polícia Militar do Interior (50º BPM/I) são investigados, assim como outros nove policiais, suspeitos de extorquir traficantes de drogas em troca de benefícios a criminosos na região. Os 12 foram alvo de mandados de busca e apreensão, cumpridos pela Corregedoria da PM, no último dia 16.

Ameaça dentro do hospital

O relato descreve uma cena na qual agentes públicos, fardados, acessaram uma unidade de saúde para pressionar uma testemunha. Segundo o homem, além do enforcamento, houve intimidação envolvendo familiares, com ameaças de atingir sua ex-companheira, e ordens explícitas para que não mencionasse nomes ou detalhes do esquema investigado.

O episódio ocorreu enquanto ele estava internado em um Hospital de Mairinque, no interior paulista. Mesmo nessa condição, afirma que não houve qualquer proteção institucional contra a abordagem dos policiais, que entraram no quarto e atuaram sem qualquer controle externo.

Extorsão semanal e domínio territorial

A cena no hospital é apenas uma das engrenagens descritas no inquérito da Corregedoria da PM, que investiga os 12 PMs do 50º BPM/I.

Segundo a apuração, o grupo cobrava R$ 6 mil semanais de operadores do tráfico para evitar prisões e permitir a continuidade das atividades ilícitas.

O esquema teria sido consolidado após abordagem realizada em 2 de fevereiro do ano passado, quando policiais apreenderam drogas avaliadas em cerca de R$ 9,7 mil e, em seguida, forçaram a abertura de negociação com traficantes para estabelecer pagamentos periódicos.

Fonte: Metrópoles

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