Polícia de Tarcísio do 50º Batalhão do interior recebiam milhares de reais extorquidos de traficantes para que venda de drogas pudesse continuar
Doze policiais, entre soldados, cabos e sargentos, são investigados pela Corregedoria da Polícia Militar suspeitos de integrar um esquema de extorsão contra traficantes de drogas em São Roque e cidades vizinhas, no interior de SP. Segundo inquérito obtido pela reportagem, os agentes teriam exigido pagamentos semanais em troca de não realizar prisões, além de se apropriarem de drogas durante abordagens.
O órgão fiscalizador da PM cumpriu mandados de busca e apreensão na região de São Roque, no último dia 16, como afirmou ao Metrópoles a Secretaria da Segurança Pública (SSP). A pasta não deu mais detalhes, alegando que o caso tramita em sigilo e ainda segue em apuração.
O inquérito indica que o grupo de policiais atuava de forma estruturada, com divisão de funções e participação de diferentes patentes. A cobrança, segundo a investigação, girava em torno de R$ 6 mil semanais em uma biqueira (ponto de venda de drogas). Há outros indícios de cobranças a criminosos, entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.
As negociações entre PMs e traficantes eram iniciadas após abordagens em “biqueiras”. Em uma dessas ações, policiais teriam apreendido drogas e, em seguida, retornado ao local para exigir dinheiro como condição para não prender os envolvidos.
Há indícios de que as extorsões ocorram, ao menos, desde 2019. A identificação formal do esquema pela Corregedoria, porém, ocorreu em 2025.
No topo da dinâmica operacional aparece um 1º sargento, apontado como figura central nas abordagens que originavam as cobranças. Segundo depoimentos, ele participava diretamente das negociações com traficantes e conduzia ações que resultavam na fixação da “taxa” semanal.
Ao lado dele, um cabo e um soldado surgem como atuantes frequentes nas ocorrências. Ambos foram citados em episódios de abordagem, negociação e, posteriormente, em ameaças a testemunhas.
Cobrança semanal
O esquema, de acordo com a Corregedoria, tinha logística definida. O cabo é citado como responsável por realizar a retirada dos valores entregues por intermediários do tráfico. Para isso, ele utilizava um veículo particular, um Honda Civic.
Os pagamentos ocorriam, segundo testemunhas, sempre às sextas-feiras, em locais previamente combinados via WhatsApp, geralmente em ruas isoladas próximas à Rodovia Raposo Tavares. Havia ainda um sistema de revezamento entre os policiais para o recebimento das quantias.
Além da cobrança regular, a investigação identificou episódios anteriores de pagamentos pontuais — de até R$ 4 mil — feitos a policiais, entre eles outro cabo da PM, em negociações envolvendo diferentes pontos de venda de drogas.
Apropriação de drogas
O inquérito descreve que os policiais não apenas extorquiam valores, mas também se apropriavam de drogas durante as abordagens. Em um caso específico, a equipe liderada pelo 1º sargento teria recolhido drogas avaliadas em cerca de R$ 9,7 mil, iniciando, em seguida, a negociação de pagamento com traficantes.
Há relatos de que após a apreensão, os agentes retornaram ao local para receber dinheiro, consolidando o acordo semanal. Em outra frente, testemunhas contaram que drogas recolhidas em comunidades eram desviadas e repassadas a terceiros.
Um terceiro cabo da PM também aparece citado como beneficiário de pagamentos, tendo recebido valores de traficantes ligados a uma biqueira na cidade de Mairinque, conforme depoimentos colhidos pela Corregedoria.
Redação com Metrópoles






