Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor
A frase “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, de Karl Marx em sua obra seminal “O 18 Brumário e Luís Bonaparte”, revela que, historicamente, os fatos tendem a se repetir, em uma primeira versão como tragédia e em segunda como farsa. O que podemos apreender deste conceito clássico de um compêndio máximo dos cânones marxistas? No meu modesto entendimento, interpretei esta lição do velho pensador alemão, como sendo àqueles eventos trágicos ocorridos na história, que ao se repetirem ou serem recriados, o são comicamente, com ênfase para transformar eventos marcantes no passado em algo falso e histriônico no tempo presente.
Na análise desenvolvida por Marx para chegar a esta brilhante conclusão, foram utilizados para explicar este fenômeno, os episódios da revolução de Napoleão Bonaparte, que foi um evento profundo e traumático para a humanidade e a tentativa de sua reedição, protagonizada por atores menores, em contextos distintos e de conteúdos superficiais, como foi o caso da ascensão do sobrinho de Napoleão, o Luís Bonaparte que empresta o nome ao título da obra marxiana, que chegou ao trono francês como Napoleão III. Isto ocorre, precisamente, pela falta de uma análise crítica, ignorando-se o contexto dos eventos passados e como ele dialoga com sua nova versão, geralmente se tornando uma caricatura do fato original.
Bonapartismos a parte, estamos vivendo uma nova tentativa de que a história se repita no Brasil, de algo que foi uma farsa que produziu uma tragédia na história recente do nosso país. Estou a referir-me daquele que, provavelmente, foi o maior engodo já engendrado no cenário histórico político e jurídico, que pode ter ultrapassado as fronteiras nacionais, com forte potencial para ter sido o maior escândalo e vergonha do poder judiciário de todos os tempos e em todo o mundo e que ficará marcado para os pósteros brasileiros como Operação Lava Jato. Uma vergonha que ainda carregaremos nas costas por muitas décadas.
A versão da Lava Jato 1.0, foi simplesmente desastrosa, que teve como consequências trágicas a subida ao poder das forças mais retrógradas e corruptas de todos os tempos no Brasil e que destruiu a economia nacional, quebrando boa parte das empresas brasileiras, sobretudo as grandes construtoras, concorrentes diretas das empresas multinacionais norte-americana em vários países e em todos os continentes do planeta. Não por acaso, hoje resta claro que a Lava Jato foi um plano de ingestão de forças externas de fora para dentro, com claros objetivos golpistas e de atentado a soberania nacional.
Operação comandada pelo Juiz Sérgio Moro, que nada tem de magistral, de evidentes limitações intelectuais e culturais, e, agora o sabemos, também detentor de uma indisfarçável incapacidade até mesmo de natureza cognitiva. Um grande mistério para mim, diga-se de passagem, é como um sujeito tão obtuso mentalmente conseguiu passar em um concurso público e chegar ao cargo de juiz, ainda que de primeira instância, sem ter a menor noção do que seja o vernáculo, já que se trata de um contumaz assassino da nossa língua mátria, para além da nossa língua materna lusófona. É vergonhoso para o poder judiciário ter como “magistrado” figura tão medíocre e chinfrim como este senhor, que, para agravar a situação, foi eleito senador da república pelo Paraná lidera pesquisa para governador neste estranho estado brasileiro.
Foi graças a esta malfadada operação, que chegamos ao golpe do impeachment da Presidenta legitimamente eleita Dilma Roussef em 2016 e a prisão de Lula em 2018, possibilitando o ascendimento do fascismo patológico bolsonarista ao poder, com a eleição de um personagem insignificante a presidência da república e atualmente um reles presidiário na Papuda, onde já deveria estar há muitos anos, sobretudo pelas suas ligações e associações com o crime organizado no Rio de Janeiro, como integrante da milícia conhecida por “Escritório do Crime”, com forte atuação dele e da família, que tem sede na favela de Rio das Pedras, região de divisa entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, áreas também, coincidentemente, dominadas pela miliciana família Brazão, mandantes do assassinato da então Vereadora Marielle Franco, executada por um vizinho do ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-sogro de Jair Renan Bolsonaro, hoje vereador em Balneário Camboriú, reduto do bolsonarismo, em Santa Catarina, outro estranhíssimo estado do Brasil. Por coincidência a família Brazão é uma aliada da família Bolsonaro e ambas sempre colheram expressivos resultados eleitorais ao longo de diversas eleições nas regiões controladas pelas milícias cariocas.
Posto isso, neste “ano da Graça do Senhor” de 2026, estamos vendo mais uma vez, a tentativa de se repaginar a primeira versão da Lava Jato, com a edição da Lava Jato 2.0, substituindo a figura do desqualificado Juiz Sérgio Moro pelo não menos desclassificado e ministro terrivelmente evangélico do STF – Supremo Tribunal Federal André Mendonça, nomeado, por óbvio, por Jair Bolsonaro, no período em que tinha sua Ocrim instalada no Palácio do Planalto, um espaço conquistado em uma eleição descaradamente fraudada, que derrubou uma presidenta sem ter cometido um único crime, por menor que fosse, sendo afastada da presidência acusada de ter cometido ridículas e inexistentes “pedaladas fiscais” e com a prisão de Lula, que liderava todos os cenários de todas as pesquisas de opinião pública naquela ocasião, por uma absurda e esdrúxula sentença de “Atos de Ofício Indeterminados”, dada pelo juiz que viria a ser nomeado ministro da justiça do Governo Bolsonaro, candidato favorecido por esta mesma sentença que tirou da eleição o candidato que certamente seria o vitorioso. Mais evidente impossível.
Apesar das robustas provas já investigadas e esclarecidas pela Polícia Federal, do maior escândalo financeiro, de roubalheira e corrupção da história brasileira, protagonizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro e seu Banco Master, com desvios de dinheiro público que podem ultrapassar a vultosa soma de mais R$ 50 bilhões, sobretudo em função das necessidades de desembolso para ressarcimentos pelo FGC – Fundo Garantidor de Créditos. Pelo que foi investigado e descoberto até o presente momento, fica óbvio o envolvimento direto de expoentes da direita fisiológica, que no Brasil atendem pelo esdrúxulo e extravagante nome de “centrão” e de importantes nomes da extrema direita bolsonarista dos mais diversos segmentos de atuação: política, religiosa, empresarial, midiática e jurídica do país, respaldados pela imprensa tradicional e alicerçados nas narrativas desenvolvidas nas redes sociais, insistindo na velha tática da guerra psicológica das Fake News e da teoria nazista da mentira repetida insistentemente, até que ganhem contornos da verdade. Tentam de todas as maneiras possíveis, reduzir a culpabilidade escancarada da imensa base parlamentar falso moralista que atua no Congresso Nacional, sobretudo no PL – Partido Liberal, querendo atribuir, forçosamente, as centenas de crimes cometidos pelo senhor Vorcaro e seus comparsas, às figuras do Ministro Alexandre de Moraes e esposa e ao filho e irmão de Lula, o Lulinha e Frei Chico respectivamente como sendo os maiores beneficiários dos crimes do banqueiro Vorcaro. Não vai colar.
As provas que já foram apuradas até o presente momento aponta para direção bem diversa que a bancada bolsonarista tentar tergiversar na CPMI do INSS. O que fica bastante claro são as relações promíscuas do inútil Deputado Federal Nicolas Ferreira, que não tem um único projeto útil apresentado e aprovado que favoreça o povo Brasileiro, com o esgoto do evangelismo estelionatário. O Deputado mais votado do Brasil, mais do que de uma chupetinha, gosta mesmo é de uma boquinha concedida pelos quadrilheiros de uma arapuca autorrotulada de Igreja Alagoinha, do fariseu André Valadão, enrolado até o último Oh Glória com o pseudo banqueiro Vorcari do Banco Master. A investigação aponta ainda para muitos nomes do PL e do centrão, e um envolvimento direto também de Flávio “Rachadinha” Bolsonaro, com a maior cadeia de corrupção financeira da história brasileira, descoberta na quebra de sigilo temático e telefônico do criminoso banqueiro em questão.
A estratégia central das forças travestidas de conservadorismo em nosso país, que não passa de uma fachada que abriga os mais notórios picaretas da vida pública brasileira, é o de usar todo o aparato econômico-financeiro, logístico e midiático nacional para distorcer e inverter os papéis em jogo, a fim de preparar um discurso falacioso para o desqualificado filho de Jair Bolsonaro, o inútil e inoperante Senador Flávio Bolsonaro, ungido pelo pai para representar o bolsonarismo nestas eleições de 2026. O único objetivo desta requentada Lava Jato 2.0, agora tendo a frente o manjado André Mendonça, é, exclusivamente, o de tentar barrar a reeleição de Lula em sua quarta vitória eleitoral para a presidência da república, dando continuidade ao projeto de defesa da soberania nacional e de políticas públicas de inclusão social. Espero e torço para que o povo brasileiro consiga se aperceber desta tentativa de enganá-lo mais uma vez, o que seria desastroso para as nossas futuras gerações.











