Delegado-Geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier, foi citado pela PF como chefe de organização criminosa

A Polícia Federal pediu a prisão preventiva do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, no âmbito da segunda fase da Operação Concorrência Simulada, deflagrada nesta terça-feira (17). O comandante da polícia judiciária do governo de Paulo Dantas (MDB), não teve prisão decretada, mas foi alvo de quebra de sigilo telemático e de busca e apreensão em sua residência, com outros 12 investigados, após ser apontado pela PF como líder da organização criminosa que fraudou concursos públicos.

No pedido da PF, que teve o aval do Ministério Público Federal (MPF), Gustavo Xavier é apontado em delação premiada como chefe da organização criminosa que, entre outros beneficiados, conseguiu aprovar a própria esposa Aially Soares Tavares Pinto Xavier, para o cargo de auditora fiscal do Trabalho, no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024.

Além de sua mulher, o irmão do delegado, Mércio Xavier, também teria sido favorecido por fraude, em 2023, em concurso do Banco do Brasil. E a esposa dele, cunhada do delegado, Anacleide Pereira Feitosa, foi aprovada no concurso da Polícia Científica de Alagoas, também sob suspeita da PF.

Os presos na fase de ontem da operação foram Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza, professor de português conhecido no Recife como “Dadá Meu Frango”, e Flavio Luciano Nascimento Borges, o “Panda”, com histórico de prisões e reincidência por fraudes a concursos públicos. Todos os investigados devem responder pelos crimes de fraude em certame de interesse público, participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

Coação delatada

Homem de confiança do governador Paulo Dantas, Gustavo Xavier também é acusado de ter ameaçado o delator identificado como Thyago Andrade, para que fraudasse concursos em benefício de seus aliados. E a PF apurou que o esquema fraudou acesso a cargos em tribunais, universidades, e polícias Federal, civis e militares. O que resultou em duas prisões, na fase de ontem da operação.

“[Gustavo Xavier] passou a ter poder de comando na ORCRIM quando, mediante ameaça, fez com que Thyago José cometesse fraude em benefícios de seus aliados”, diz um trecho da decisão que avaliou o pedido da PF pela prisão do delegado alagoano.

Na decisão do juiz federal Manuel Maia de Vasconcelos Neto, o chefe da Polícia Civil de Alagoas também é citado pela PF como responsável por vazar uma operação em 02 de março do ano passado, mandando avisar a Thyago José sobre o cumprimento de mandados judiciais.

No pedido de prisão que tramitou na 16ª Vara Federal da Paraíba, a PF relata que o delegado Gustavo Xavier usava policial civil como intermediário para suas exigências.

E o MPF detalhou, ontem, que a operação de ontem decorre do aprofundamento das investigações sobre o material apreendido na Operação Última Fase, que revelou, em outubro do ano passado, a existência de novos integrantes da organização criminosa, além de possíveis beneficiários do esquema.

“As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada na fraude de concursos de alta concorrência, com destaque para o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024, no cargo de auditor fiscal do Trabalho. O esquema teria como base a obtenção antecipada de provas e o repasse de conteúdos a candidatos, entre outras práticas ilícitas.

Diário do Poder solicitou à assessoria de imprensa da Polícia Civil de Alagoas um posicionamento do delegado Gustavo Xavier. E publicará eventuais esclarecimentos.

Fonte: Diário do Poder

Deixe uma resposta