Alto Comissariado de Direitos Humanos destacou que a legislação internacional exige distinção entre alvos militares e civis
Ataques realizados por Israel contra áreas residenciais e infraestrutura civil no Líbano podem configurar crimes de guerra, segundo o escritório de direitos humanos das Nações Unidas. A avaliação foi divulgada na terça-feira (17), em meio à intensificação das agressões militares no país. De acordo com a Al Jazeera, a ONU relatou a destruição de centenas de residências e edifícios, incluindo unidades de saúde, durante bombardeios que atingiram Beirute e outras regiões libanesas.
Em coletiva em Genebra, o porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos afirmou que há indícios de violações ao direito internacional. “Atacar civis ou objetos civis é crime de guerra”, disse. Ele também destacou que a legislação internacional exige distinção entre alvos militares e civis, além da adoção de medidas para proteger a população. Segundo a ONU, civis deslocados que estavam abrigados em tendas à beira-mar em Beirute foram mortos em ataques recentes. Desde o início de março, ao menos 16 profissionais de saúde também morreram em decorrência das ofensivas.
Impacto humanitário
Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que, desde 2 de março, pelo menos 912 pessoas morreram, incluindo 111 crianças, e 2.221 ficaram feridas. A escalada militar ocorre após o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançar foguetes contra o norte de Israel, em resposta a ataques que resultaram no assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei, em ações conduzidas por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
Desde então, as forças israelenses intensificaram bombardeios e operações terrestres no território libanês, afirmando que a ofensiva tem como alvo o Hezbollah. O grupo, por sua vez, respondeu com novos disparos de foguetes e confrontos no sul do país. A crise também provocou deslocamento em massa. Autoridades libanesas estimam que mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, após ordens de retirada emitidas por Israel para áreas ao sul do rio Litani e nos subúrbios ao sul de Beirute.
Organizações humanitárias e a própria ONU alertam para o agravamento das condições de vida da população deslocada, com falta de acesso a saúde, alimentos e água potável. “Não há recursos suficientes”, afirmou um representante de entidade humanitária que atua no país.
Fonte: Brasil 247






