Com Lula na Sapucaí, o desfile em homenagem ao presidente apresentado pela Acadêmicos de Niterói ironizou o bolsonarismo, fez propaganda de programas sociais petistas e ignorou casos de corrupção. A apresentação seguiu o script com apenas duas exceções: o presidente desceu à pista para beijar o pavilhão da escola e acompanhar a festa e a primeira-dama, Janja, não desfilou.

Escola abriu o Carnaval do Rio com tributo à vida de Lula. Ao longo de 79 minutos, a agremiação narrou desde a infância pobre do petista no agreste de Pernambuco à sua terceira eleição como presidente da República.

Artistas globais interpretaram Lula, dona Lindu (mãe dele) e a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Paulo Vieira, Dira Paes e Juliana Baroni, respectivamente, se dividiram entre as 25 alas, compostas por 150 integrantes cada.

Boneco gigante de Lula no último carro. A escola levou cinco carros para a avenida, com um boneco gigante do presidente encerrando o desfile.

Presidente foi à pista e beijou pavilhão da escola. Ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), o presidente deixou o camarote municipal para ir à avenida e saudar os integrantes da escola; ele acompanhou a maior parte dos desfiles no chão. A previsão, no entanto, era que ele assistisse à festa da plateia, acompanhado de ministros, para evitar questionamentos de cunho eleitoral.

Primeira-dama foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Rosângela da Silva não entrou na avenida, como planejado, e acompanhou a festa no camarote da prefeitura carioca. De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, ela foi pressionada a desistir de desfilar por receio de gerar problemas com a Justiça Eleitoral. Janja foi substituída pela cantora Fafá de Belém.

Provocação a Bolsonaro, Temer e Eduardo
Palhaço preso com tornozeleira danificada ironizou prisão de ex-presidente. Jair Bolsonaro foi representado de forma provocativa como um palhaço preso com uma tornozeleira danificada em um dos carros alegóricos da escola. Nas redes sociais, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, criticou a alegoria e destacou que Lula é quem foi preso por corrupção.

Bolsonaro também foi retratado na comissão de frente. Na abertura do desfile, um ator surgiu fantasiado como o palhaço Bozo, representando o ex-presidente, fazendo “arminhas” com as mãos e flexões de braço. O ex-presidente também apareceu em meio a cruzes com o número de mortos pela covid-19 no Brasil: mais de 700 mil.

Comissão de frente também fez referências a Dilma e Temer. A encenação dos personagens começou com Lula passando a faixa presidencial para Dilma Rousseff (PT) — em 2010, ele lançou a petista ao Planalto após cumprir dois mandatos no governo federal. Logo depois, o personagem que representou o ex-presidente Michel Temer (MDB) arransou o adereço da petista, em uma referência ao impeachment de 2016.

Escola também retratou Bolsonaro e Lula discutindo. O ex-presidente estava próximo de uma bandeira com as cores dos Estados Unidos e o petista, com as do Brasil.

Um das alas ironizou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Os integrantes estavam fantasiados de Mickey. Na mão, seguravam uma tocha da Estátua da Liberdade que coloca fogo na bandeira do Brasil. Segundo a sinopse do desfile, a fantasia é inspirada em uma charge feita por Nando Motta —na ilustração original, é Eduardo quem está vestido do personagem.

PT teve ala própria com estrela, mas sem número 13
Símbolos do partido estamparam fantasia. A estrela e a cor vermelha compuseram a fantasia da ala dedicada à sigla. Segundo a sinopse do desfile, a fundação da legenda foi uma consequência da liderança sindical de Lula na região do ABC Paulista.

Escola evitou expor número 13. Seguindo recomendações de especialistas em direito eleitoral, a escola evitou usar o número do partido em alegorias ou fantasias. Há menção indireta, porém, no samba-enredo. Segundo a letra, a viagem de Lula ainda criança para São Paulo em um pau de arara levou 13 dias.

Fonte: Uol

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