Maioria é contra isenção de impostos para igrejas e critica ostentação de pastores
Os brasileiros são majoritariamente contrários à isenção de impostos conferida a igrejas, templos e pastores. Mais do que isso: também entendem que a ostentação derivada do acúmulo de recursos por líderes religiosos é “absurda”.
Mesmo com variações entre os recortes da pesquisa, a opinião contra a isenção se sustenta de forma ampla. Entre todos os grupos analisados, 60% defendem que todas as instituições religiosas devem pagar impostos (e, dentro deste grupo, 35% dizem que “não só devem pagar impostos, como deveriam ser mais fiscalizadas”).
Esse é um dos resultados da pesquisa nacional de opinião pública encomendada pelo ICL e realizada pela Ágora Consultores, que ouviu quase 10 mil pessoas das diferentes classes sociais. O levantamento foi realizado entre 17 e 23 de novembro de 2025 para conhecer o pensamento do brasileiro. As conclusões do trabalho estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta.
O número daqueles que têm abertura a taxar instituições religiosas sobe para 71% dos pesquisados quando se incluem aqueles que são favoráveis a algum tipo de cobrança, desde que seja observada uma isenção em casos específicos — para pequenas igrejas e templos.
Quando o brasileiro se depara com a questão sobre a sensação despertada por um líder religioso “viajando de helicóptero, avião ou iate”, a proporção dos que consideram a situação “absurda” é quase idêntica à de quem deseja cobrança de impostos em qualquer cenário: 62%. Outros 28% têm opinião neutra, argumentando que, se o dinheiro vem de outras atividades, os líderes religiosos até “têm direito” a luxos desse tipo. Apenas 8% dos consultados acham a situação “normal”.
Sem surpresas, os brasileiros que dizem não acreditar em Deus são aqueles com menor abertura à isenção de impostos para igrejas: 83% desejam cobrança para todos os tipos de templos, independentemente do tamanho, sendo que 72% deles apoiam uma maior fiscalização das finanças das instituições religiosas.
Por outro lado, o maior bastião de resistência aos impostos vem dos brasileiros que se identificam como evangélicos: apenas 33% defendem a cobrança de impostos para todos os templos, enquanto 46% dizem que a isenção “é essencial para a liberdade religiosa”. Os evangélicos são, de longe, o grupo com maior número de defensores da isenção como um instrumento para garantir a liberdade, quase o dobro do visto entre os praticantes da outra grande religião organizada no país, como os católicos, para quem esse número fica em 24%.

Entre os seguidores do catolicismo, a abertura à cobrança de impostos para qualquer tipo de igreja é ligeiramente menor do que a média geral da população (57%, três pontos percentuais abaixo), mas ainda assim muito acima da vista no caso dos evangélicos.
A disposição a taxar igrejas também é marcada por um contraste ideológico. Enquanto 87% dos consultados que se dizem de esquerda defendem a cobrança de impostos em qualquer cenário (e só 8% veem a isenção como válida), essa proporção despenca para 34% entre brasileiros que se definem como de direita, grupo que tem 42% de apoio à isenção.
Apesar das divergências sobre os impostos, há uma constante que perpassa as mais diversas correntes religiosas e identificações ideológicas: são minoritários os brasileiros que encaram como “normais” as cenas de ostentação por parte de líderes religiosos. Só 8% dos evangélicos, 9% dos ateus, 11% dos espíritas e dos católicos, e apenas 2% dos seguidores de outras religiões ouvidos pela pesquisa concordam com a normalização de situações do tipo.
Essa proporção segue muito baixa independentemente do recorte, ainda que com variações: para os brasileiros que se identificam com a esquerda, apenas 5% consideram a ostentação “normal”; entre os de direita, o número até sobe de forma perceptível, mas ainda é uma clara minoria, não superando a marca de 13%.
A principal discordância ocorre entre aqueles que opinam pelo caminho do meio, entre o “absurdo” e o “normal”: são aqueles que responderam à questão dizendo que “depende” da origem dos recursos, mostrando disposição a aceitar a vida opulenta de líderes religiosos, desde que ela seja bancada por atividades não relacionadas à igreja.
Outra vez, quem está mais disposto a fazer esse tipo de concessão é a parcela da população que pratica alguma religião identificada no grupo dos evangélicos: no recorte por religião, são os únicos em que o entendimento de que um líder religioso viajando de helicóptero, avião ou iate é “absurdo” fica abaixo dos 50%. São 46% com esse ponto de vida (45% dizem que depende). Entre os católicos, o número sobe para 58%, chegando a 72% entre espíritas, 75% para os praticantes de outras religiões e 78% dos que não acreditam em Deus.
O estudo consiste em uma pesquisa de opinião pública cujo universo abrange pessoas com 16 anos ou mais na República Federativa do Brasil, realizada por meio do Painel on-line da Ágora Consultores. Foi adotado um desenho amostral estratificado por Unidade da Federação (UF/Estado), com cotas populacionais conforme dados censitários e aplicação de cotas cruzadas por sexo, faixa etária e zona/área, assegurando consistência e equilíbrio na composição amostral. A amostra totalizou 9.497 entrevistas efetivas, com nível de confiança de 95% e margem de erro amostral de ±1,0 p.p. para distribuições simétricas.
Como etapa adicional de robustez, a base foi ponderada e calibrada por sexo, idade, escolaridade e áreas, e submetida a procedimentos de controle de qualidade e consistência, incluindo validações de respostas, identificação de duplicidades, checagens de coerência interna e análise de tempo de resposta.
Fonte: ICL






