A cada semana, o escândalo do Banco Master escancara mais a podridão das instituições de poder no Brasil. Como já discutimos aqui (e aqui) antes, a bilionária fraude financeira de Daniel Vorcaro (dono do Master) e seus associados levará a um prejuízo ao povo brasileiro. Mas sua rede de apoiadores dentre as instituições republicanas é enorme. Ela se apoia sobretudo entre parlamentares e governadores da direita e do Centrão. Mas tem também seus tentáculos sobre ministros do Supremo.
A conduta de deputados e senadores do Centrão, como Ciro Nogueira (ex-ministro de Bolsonaro), procurando defender os negócios do banco tem sido vergonhosa. Tanto quanto a ação de governadores, como os de SP ou do RJ, que usaram de seus poderes para financiar as falcatruas do banqueiro. Isso para não falar do governador do DF, que forçou o banco público BRB tomar prejuízo e quase falir ao comprar os ativos podres do Master.
Agora, desde fins do ano passado, tem ficado claro também que ministros do STF seguem um caminho parecido. Toffoli decidiu, sem qualquer justificativa cabível, levar o caso para o “foro privilegiado” do Supremo, assumindo a relatoria do caso. Nesse meio tempo foram sendo reveladas as relações de vários de seus familiares com os negócios de Vorcaro. Motivo mais do que suficiente para que ele se considerasse de imediato impedido de seguir no caso por conflito de interesses – algo que teimosa e autoritariamente recusou-se. O mesmo deveria ser feito pelo ministro Moraes, cujo escritório de esposa e filhos defende Vorcaro.
Por outro lado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e seu padrinho político Arthur Lyra, fizeram ingerências junto ao ministro Jhonatas de Jesus do Tribunal de Contas da União (TCU) – que é ele mesmo do Centrão, muito envolvido com as emendas do Orçamento Secreto – para que a liquidação do Master pelo Banco Central (Bacen) fosse desfeita. Influenciadores de internet – sobretudo youtubers de direita – foram pagos para que no final do ano passado lançassem uma campanha contra o Bacen.
Nesta semana, o Bacen respondeu a solicitação do TCU por meio de um relatório com o histórico de sua atuação frente ao Banco Master (Estadão, 28/01/2026). Documentos internos do Bacen da época ainda de seu ex-presidente, Campos Neto (nomeado por Bolsonaro), mostram que ele tinha total consciência das enormes e criminosas irregularidades do Master.
Se seguisse as normas, ele teria a obrigação, já na ocasião, de intervir no Master. Ao invés disso, os documentos indicam que Neto atuou em conluio com Vorcaro e seus sócios: editou uma norma, em outubro de 2023, alterando a contabilização de precatórios como ativos de risco carregados pelos bancos com uma brecha que ajudou o Master a não ser obrigado a fazer alterações em seu balanço. Um mês antes de deixar o cargo (final de 2024), Campos Netto fez vistas grossas para o fato do Master ter parado de recolher os depósitos compulsórios junto à autoridade monetária – dada suas dificuldades na rolagem de dívidas.
As notícias das falcatruas do Master e de sua gigantesca rede de sustentação política nas instituições de Estado parecem não cessar. O desgaste de tais instituições junto à opinião pública – que nunca deu a elas muito crédito – é cada vez maior. Setores das classes dominantes começam a se angustiar com isso. Um exemplo é o grande empresário Walter Schalka (Suzano Papel, Vibra etc). Em entrevista ao Valor Econômico (26/01/2026), ele diz o atual escândalo nos fez “perder um bastião que tínhamos, que é o Judiciário”.
Alberto Handfas
Fonte: Petista






