A situação da Ala Vermelha (Trauma) do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, representa hoje o retrato mais cruel do colapso da saúde pública no governo Paulo Dantas. O setor da Vermelha (Trauma) deve funcionar com 10 leitos, com equipe de quatro Técnicos de Enfermagem e dois Enfermeiros, no entanto, segundo informações constatadas, o setor está trabalhando acima do limite permitido, com 20 à 30 pacientes a mais no local, uma superlotação de mais de 150% da capacidade.

Durante visita ao HGE, realizada pelo SINDPREV/AL, nesta quarta-feira (07/01), foi constatado a superlotação extrema do setor, marcada pela alta demanda de pacientes em estado grave, misturados com pacientes da ortopedia de procedimentos eletivos, aguardando atendimento por horas, aguardando dias para serem encaminhados, além de profissionais exaustos trabalhando no limite, o que evidencia um sistema que opera em permanente estado de caos.

A superlotação da Ala Vermelha do HGE não é um fato isolado e se estende por todos os hospitais do Estado, incluindo a situação gritante no hospital Geral de Arapiraca (antiga UE) que encontra-se semelhante a um campo de guerra com pacientes de ortopedia por todos os corredores do hospital sem nenhuma perspectiva de tratamento, aguardando dia após dia para serem regulados. Pacientes são submetidos a condições indignas, sem privacidade, conforto ou segurança mínima.

Sofrimento permanente

A falta de leitos, equipamentos e estrutura inadequada compromete diretamente a assistência, aumenta o risco de agravamento clínico e transforma o que deveria ser um ambiente de cuidado em um cenário de sofrimento humano. Familiares convivem com a angústia da espera, a desinformação e o medo constante de perder seus entes queridos por falhas estruturais que poderiam ser evitadas.  Mais um problema recorrente que evidencia a necessidade de investimentos urgentes, ampliação de leitos, melhoria na gestão hospitalar e fortalecimento da rede de urgência e emergência em todo o estado.

Infelizmente, esse colapso na Saúde Estadual não ocorre por acaso. Ele é consequência direta de anos de falta de investimento adequado, má gestão dos recursos públicos e negligência com a saúde da população alagoana, situação essa denunciada há anos pelo SINDPREV-AL aos órgãos competentes.

Rombo milionário

A crise atual se agrava ainda mais diante das recentes denúncias envolvendo o ex-secretário de Saúde do Estado, que foi denunciado pela Polícia Federal na participação em um suposto desvio de aproximadamente R$ 120 milhões dos cofres da saúde de Alagoas, recursos que deveriam ter sido destinados à ampliação de leitos, compra de equipamentos, contratação de profissionais e fortalecimento da rede de urgência e emergência.

Embora as denúncias ainda estejam sendo apuradas pelos órgãos competentes, é impossível ignorar o impacto devastador que a má gestão e a suspeita de corrupção causam em um sistema já fragilizado. Cada real que deixa de ser aplicado corretamente na saúde pública se transforma em filas, superlotação, mortes evitáveis e sofrimento para quem depende exclusivamente do SUS.

Resistência heróica

Os profissionais de saúde do Estado, em especial do HGE seguem resistindo de forma heróica, mesmo diante da sobrecarga extrema, do adoecimento físico e emocional, da escassez crônica de recursos e da pressão diária para salvar vidas em condições totalmente adversas. Estes servidores/as trabalham exaustos, adoecidos e muitas vezes sem o suporte mínimo necessário, sustentando um sistema que opera em colapso. No entanto, é inaceitável que a sobrevivência da saúde pública dependa do sacrifício contínuo desses/as trabalhadores/as, que pagam com sua própria saúde o preço da negligência, da má gestão e da falta de investimentos adequados.

Diante desse cenário, é urgente que haja um intervenção mais enérgica do Ministério Público e demais órgãos fiscalizadores que atuem de forma imediata e transparente, garantindo a correta aplicação dos recursos públicos, a responsabilização dos envolvidos em irregularidades e a adoção de medidas concretas para desafogar o HGE e outros hospitais, e reestruturar a saúde pública em Alagoas.

É inaceitável que a população continue pagando, com sofrimento e vidas, pelo descaso, pela negligência e pela má gestão da saúde pública. O direito à saúde, garantido pela Constituição, é diariamente violado no HGE, em um ataque direto à dignidade humana que não pode, sob nenhuma hipótese, ser tolerado. Essa realidade exige ação imediata, responsabilização dos gestores e o fim imediato dessa omissão que mata.

Fonte: Sindprev/AL

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