Autoridades iranianas denunciam ‘mãos ocultas’ em campanha externa de desestabilização durante manifestações que já duram duas semanas
Autoridades iranianas apontaram a existência de uma campanha de desestabilização do Irã, conduzida por potências estrangeiras, mencionando os Estados Unidos e Israel, na escalada dos protestos que acontecem há duas semanas, em várias cidades do país.
Os protestos contra o custo de vida elevado e a desvalorização da moeda local, problema decorrente das sanções impostas pelo Ocidente, tornaram-se violentos ao longo das últimas semanas; levando à morte de pelo menos 65 pessoas, segundo o grupo iraniano de direitos humanos, HRANA: 50 entre os manifestantes e 15 entre os integrantes das forças de segurança do país.
Na noite desta sexta-feira (09/01), um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã; os manifestantes já atearam fogo em dez edifícios governamentais. Funerais de membros das forças de segurança foram televisionados neste sábado (10/01) em cidades como Shiraz, Qom e Hamedan.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC), Ali Larijani, relatou que as forças de segurança e o Judiciário estão preparados para agir “com a maior firmeza” contra indivíduos armados e grupos organizados com vínculos externos. Ele destacou que alguns manifestantes tentaram invadir centros militares e policiais para promover uma guerra civil no país.
O porta-voz do Conselho Constitucional, Hadi Tahan Nazif, salientou a existência de “mãos ocultas” nos distúrbios. “A interferência estrangeira transformou protestos pacíficos da população, direcionados a reivindicações de meios de subsistência, em tumultos e distúrbios”, afirmou. Ele também mencionou a morte de mais de 1.000 iranianos durante a Guerra de 12 dias imposta pelos Estados Unidos e Israel ao país, em junho de 2025.
Na última quinta-feira (08/01), o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou o Irã, ao comentar sobre as manifestações em curso. “É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar”, afirmou.
Chancelaria iraniana
Em Beirute, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, concedeu uma entrevista ao canal libanês Al-Manar. Ao falar sobre os protestos, ele disse que o governo iraniano busca administrar a situação, apontando que manifestações pacíficas são normais “em qualquer governo baseado na soberania popular e na democracia, onde as pessoas podem expressar seus protestos e queixas, e isso está acontecendo”.
No entanto, “juntamente com as pessoas comuns, existem alguns elementos que se envolvem em tumultos e atacam locais públicos, ateando fogo, e isto é algo que precisa ser cuidadosamente considerado”.
Araghchi atribuiu influência de Washington e Tel Aviv na escalada da violência, alegando que “os próprios funcionários do regime sionista afirmam em tweets e entrevistas que agentes do Mossad estão presentes em Teerã e no Irã e desempenham um papel nessas manifestações”.
Sobre a resposta do governo iraniano, ele afirmou que “Pezeshkian está tentando lidar com sabedoria com a questão das manifestações e tumultos, ouvir os protestos e queixas legítimas da população e encontrar soluções”.
A diplomacia iraniana já levou o tema ao Conselho de Segurança da ONU. Em carta ao órgão, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Saeed Iravani, acusou Washington e Israel de coordenarem uma campanha de interferência, ameaças e incitação à violência, em violação à Carta das Nações Unidas.
O comunicado afirma que Israel vem empregando “táticas híbridas” desde a guerra de junho e que os protestos econômicos foram transformados em “insegurança orquestrada”.
Washington
Dos Estados Unidos, Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irã, Maomé Reza Pahlavi, divulgou uma mensagem nas redes sociais incitando os manifestantes a ocuparem os centros urbanos e a convocarem uma greve geral em setores estratégicos como transporte, petróleo, gás e energia.
“Nosso objetivo não é mais simplesmente ir às ruas; o objetivo é nos prepararmos para tomar o centro das cidades e mantê-lo sob nosso controle”, afirmou. Ele disse que se prepara para retornar ao país quando “nossa revolução nacional triunfar”.
Fonte: Ópera Mundi






