Fintechs investigadas por ligação com o crime organizado atuaram na difusão de desinformação sobre a suposta taxação do Pix. Segundo fontes do Banco Central e da Receita Federal, essas plataformas tinham interesse em barrar a instrução normativa que ampliaria o monitoramento de transações suspeitas. Com informações do colunista Guilherme Amado, no PlatôBR.

As empresas apoiaram financeiramente a circulação de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), no qual ele afirmava que o Pix seria taxado. A gravação alcançou mais de 200 milhões de visualizações e acabou levando o governo a revogar a norma que previa o envio de informações de movimentações de clientes pelas fintechs.

De acordo com Dão Real, diretor do Sindifisco, a Receita já monitorava fraudes no setor de combustíveis, mas a migração de recursos para sistemas paralelos de pagamento criou brechas de fiscalização. A tentativa de incluir as fintechs na e-Financeira, que obriga bancos a informar transações de CPF e CNPJ, foi abortada após a pressão e a onda de desinformação.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/8), cumpriu 350 mandados em oito estados. O inquérito aponta que parte dos lucros do esquema de combustíveis foi lavada em fintechs e blindada em cerca de 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões.

Segundo os investigadores, apenas uma das plataformas investigadas movimentou R$ 46 bilhões. O caso soma-se às descobertas da Polícia Federal sobre estruturas financeiras usadas por grupos ligados ao crime organizado.

A investigação deve avançar sobre a responsabilidade das fintechs no financiamento da campanha de desinformação que travou medidas de monitoramento do Banco Central e da Receita Federal.

Fonte: DCM

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